quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Reflexão : O amor acaba.

 
 
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
 
Paulo Mendes Campos

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Inspiração : Lana Del Rey



Falo muito pouco de moda por aqui, então hoje resolvi falar um pouquinho dela.

Lana Del Rey, na verdade Elizabeth Woolridge Grant, Nova iorquina, 26 anos, cantora de Indie pop.
Eu particularmente adoro ela, as roupas, o cabelo, a voz, tudo e claro, quando escutei Blue Jeans pela primeira vez k'
 Adoro a pegada Vintage moderninha dela. Ela se inspira muito nos anos 60 quando prepara um look para um show ou até mesmo no dia a dia, vestidos acinturados, shorts cós alto com uma pegada mais rocker que eu amo muito e como toda mulher, ela não abandona uma calça jeans no seu dia dia.
O cabelo ela não muda muito, está sempre com ele solto e com um super topete de dar inveja admito sem contar a maquiagem, como todas nós já sabemos, ela não economiza no delineador, não importa, ela pode estar com um batom nude e um blush pêssego, ela sempre vai estar com bastante delineador e bastante rímel, que na verdade é o certo. Da uma olhadinha ai.
 
 
Vestidos retro :

 
 
Calças jeans e shorts :
 


 

Maquiagem :
 

 

 
 
 





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quando você se foi.

 
 
 
Para todos sempre fomos um casal perfeito, digno de um conto de fadas, daqueles que você gostava. Era tão lindo quando você começava a sonhar quando falava deles. Outro mundo.
  Você era tão linda, acho que você continua linda, mas com certeza mudada. Sem mim.
Não sei da onde surgiram tantas brigas e me pergunto até hoje o porque delas.
  Me lembro da primeira vez que você foi embora, você tinha levado uma parte de mim e o nosso cachorro. Foi como se nós nunca tivéssemos existido ou significado algo. Simples e de supetão você saiu pela porta, e o que mais me doía, era saber que a culpa era minha, sempre foi minha. Cansei de fugir da responsabilidade de tudo.
  Estava tão seguro de mim, achava que depois de um dia com a sua mãe você voltaria, nos desculparíamos, passaríamos a noite juntos e na manhã seguinte tomaríamos café na cafeteria da esquina do nosso prédio como todos os dias.
  Uma semana, duas, um mês e você não voltou.
Para mim, foi como se tudo tivesse caído em pedacinhos e que todos os seus contos de fadas que acreditava e que sem brincadeira alguma, comessava a fazer sentido para mim, fosse realmente uma farsa.
Depois de algumas semanas trancado dentro do apartamento que costumava chamar de nosso, era hora de sair, as aulas da faculdade voltaram e como de costume nos juntaríamos com o resto do pessoal. Cheguei no corredor olhei ao redor e logo os vi parados no meio do caminho e é claro que você estava lá também, morena, cabelo escorrido, os cílios cheios de rímel como  você gosta, um largo sorriso,  sua saia de babados azul Royal que eu amava e seu perfume maravilhoso. Do mesmo jeito, apenas uma diferença, você estava mais feliz e de mãos dadas com um cara estranho na roda. Foi um choque e ali eu realmente percebi que tinha perdido tudo. Meu chão, meu ar, meu espaço, meus sentidos e o principal, o amor da minha vida.
A pior parte dessa história, era ter que olhar para vocês e sorrir como se tivesse superado e satisfeito com a situação, sendo que minha maior vontade era de te abraçar forte e te sentir novamente segura e perto de mim, só que já não faço mais parte disso e esse papel fica para o cara estranho segurando tuas mãos.
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um café por favor.



 Já fazia algum tempo que não pensava em você, já estava ficando agradecida pelo tempo ter passado tão depressa. Isso foi bem antes daquele momento.
  Logo quando entrei na cafeteria, aquela cafeteria do outro lado da rua do meu trabalho, que te vi sentado na mesa do canto, tomando seu café favorito, com um sorriso apaixonante, conversando com a ruiva mais linda que já tinha visto, pele clara, dentes brancos a mostra e cabelo cor de fogo. Você parecia tão feliz e " recuperado" nem parecia que tinha acabado de sair de um namoro, pelo visto me enganei.
Depois daquela noite no meu quarto eu não te vi e também não fiz questão de te procurar, foi como se tivesse sido a primeira vez a te ver, borboletas no estomago, suor excessivo nas mãos, bochechas vermelhas  e blá blá blá.
 Era mais ou menos  cinco e meia, naquele dia estava frio, mas ver você lá fez com que cada partícula do meu corpo congelasse. Nosso namoro veio a tona em minha cabeça e me fez pensar que se tivesse sido diferente, se nós tivéssemos evitado todas as brigas tolas, eu era pra estar ao seu lado, na nossa mesa , teria escapado do trabalho só para te encontrar lá.    Quem dera eu tivesse pedido para que ficasse e se deitasse ao meu lado na minha cama de solteiro e você ocupando a maior parte dela. Era tão engraçado, como eu sempre caia no meio da noite, também, quem mandou ser tão folgado, mas no fim, eu não me importava.
 Enfim quem dera eu ainda o tivesse pra mim, em meus braços e me sentindo segura.
 Não sei por quanto tempo fiquei parada na porta de entrada, só me lembro de ter visto muitas pessoas esperando para entrar. Não tive coragem de continuar, dei meia volta, dei uma ultima olhada e percebi que você não tinha notado minha presença  ( como você se recuperou rápido ) sai de lá. Ainda não, ainda não estava pronta para isso.